O amanhecer do Rombo: Moto e Memória

O que os rombos de um motor Triumph e a tela de um western têm em comum? Ambos, paradossalmente, são tentativas de capturar uma ilusão de perpetuidade num mundo inexoravelmente sujeito à usura. O primeiro, uma expressão de velocidade e rebeldia; o segundo, uma evocação de espaços abertos e de uma identidade em dissolução. A Triumph Bonneville é mais do que apenas uma simples motocicleta; é a cristalização de um desejo de fuga, uma resposta mecânica à fragilidade da existência.

A Manufatura Invisível

A fábrica Triumph nos anos 1950 e 1960 não era apenas um local de montagem, mas um caldeirão de habilidades artesanais. Cada soldadura, cada cromação, cada regulagem do carburador era obra de mãos experientes, um ritual quase sagrado que infundia à máquina uma alma. Conta-se que os mecânicos, durante as provas na estrada, aprendessem a ouvir o motor não como simplesmente um conjunto de pistões e cilindros, mas como um organismo vivo, capaz de comunicar através de vibrações e sons imperceptíveis. Este processo, esta ‘manufatura invisível’, criava um laço indissolúvel entre homem e máquina, uma extensão do corpo e da vontade. A Bonneville, assim, não era apenas um meio de transporte, mas um símbolo de liberdade e de auto-determinação. Seu rombo, uma eco dessa maestria artesanal, se propagava pelas ruas, desafiando convenções e celebrando a individualidade.

O Fantasma do Frontier

Paralelamente, a milhares de quilômetros de distância, Frederic Remington, com suas telas, tentava immortalizar outra forma de liberdade, aquela selvagem e inextricável do Oeste americano. Seus cowboys, figuras solitárias e stoicas, cavalgavam através de paisagens sem limites, incarnando um mito de coragem e independência. Mas em suas obras, além da celebração do heroísmo, se sentia também uma sensação de melancolia, a consciência que aquele mundo estava desaparecendo, engolido pelo progresso e pela civilização. A patina do tempo, que depositava-se nas suas telas, não era apenas um sinal de envelhecimento, mas uma metáfora da fragilidade da memória e da caducidade da existência. Como o motor Triumph, também os quadros de Remington eram tentativas de fixar um momento, preservando uma identidade em extinção.

A Velocidade e o Olhar

A conexão entre estes dois mundos aparentemente distantes reside na sua comum obsessão pela velocidade e pelo olhar. A motocicleta, com a capacidade de superar os limites físicos, permitia atravessar o espaço de forma rápida e dinâmica, oferecendo uma nova perspectiva sobre o mundo. Da mesma forma, as telas de Remington, com sua representação de figuras em movimento, capturavam a essência da velocidade e da ação. Ambos, no fundo, eram expressões de um desejo de transcendência, de superar os limites da realidade e alcançar uma outra dimensão. O código de pertencimento não era a velocidade em si, mas a possibilidade de definir o próprio horizonte, de escolher a própria direção.

O Silêncio que Segue

A Bonneville, estacionada após um longo viagem, emite um silêncio denso, carregado de memórias. A tela de Remington, pendurada num museu, guarda o fantasma de uma época perdida. Ambos nos convidam a refletir sobre a natureza efêmera do tempo e sobre a necessidade de preservar a memória. Na próxima vez que se observa um objeto, procure perceber não apenas sua forma e seu colorido, mas também a história que carrega consigo, o peso do silêncio que o envolve.


*Foto de Alex Kalligas em Unsplash
*Os textos são elaborados autonomamente por modelos de Inteligência Artificial


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