O Nó do SAFE: Tensões entre Autonomia e Cooperação

O Nódulo de SAFE

A falha das negociações britânicas para aderir ao programa SAFE (Security Action for Europe) não é apenas uma disputa comercial. É um sintoma mais profundo: a dificuldade em integrar uma economia pós-Brexit na arquitetura de segurança europeia, quando a infraestrutura física da cooperação já está definida e as linhas de crédito estão vinculadas a padrões continentais. O esforço do Líder de negociar um acesso privilegiado, sem aceitar plenamente as regras do jogo, encontrou resistência de Paris e Berlim, evidenciando um problema estrutural: a soberania, em um mundo interdependente, se negocia através do controle dos fluxos, não através da retórica.

Mecânica do Poder: O Custo da Autonomia

SAFE, com um orçamento previsto de 100 bilhões de euros, visa estimular a produção europeia de armamentos e reduzir a dependência dos Estados Unidos. O programa se baseia em um sistema de empréstimos garantidos, acessíveis aos membros da UE que se comprometem a investir pelo menos 2% do PIB na defesa. O Reino Unido, apesar do desejo de participar, encontrou um obstáculo prático: a necessidade de fornecer garantias financeiras equivalentes, sem poder beneficiar do apoio coletivo dos estados membros. Este não é um problema de liquidez, mas de arquitetura. A UE, após anos de crise de dívida, construiu um sistema de garantia baseado na solidariedade interna. A saída britânica criou um vazio, e o esforço para negociar um acordo ad hoc se chocou com a lógica do sistema.

Fricção e Assimetria: Quem Absorve o Custo?

A falha de SAFE não é um dano simétrico. Para a indústria da defesa britânica, significa a perda de oportunidades de contratos e o aumento dos custos de produção. Para a UE, significa a confirmação de sua autonomia estratégica, mesmo ao custo de excluir um parceiro tradicional. Mas o custo mais significativo é político: a demonstração que a soberania, neste contexto, se traduz em uma autonomia limitada, e que a cooperação requer alinhamento estrutural. O Reino Unido, apesar da manutenção de sua capacidade militar, se encontra diante do dilema: investir mais na defesa, sem poder contar com o apoio europeu, ou aceitar um papel subordinado na arquitetura de segurança continental.

Teste da Doutrina: O Realismo Estratégico

A teoria do realismo estratégico, que enfatiza a importância do poder e dos interesses nacionais, encontra confirmação neste caso. A decisão da UE de excluir o Reino Unido de SAFE não é motivada por hostilidade ideológica, mas por considerações pragmáticas: a necessidade de proteger seus próprios interesses econômicos e de segurança, e garantir a coerência do sistema. O realismo, no entanto, não explica completamente a dinâmica. A UE age não apenas com base em cálculos racionais, mas também por considerações políticas e simbólicas: a vontade de afirmar sua autonomia, e o desejo de enviar um sinal claro a Londres.

Horizonte Tático: Monitorar os Fluxos

Nas próximas seis meses, será crucial monitorar os fluxos de investimento no setor da defesa europeu. Se SAFE conseguir estimular a produção interna e reduzir a dependência dos Estados Unidos, a posição do Reino Unido se enfraquecerá ainda mais. Se, por outro lado, o programa encontrar dificuldades, Londres poderá aproveitar a situação para negociar um novo acordo ou promover alternativas bilaterais. É importante também observar a evolução das relações entre a UE e os Estados Unidos, e o impacto da guerra na Ucrânia na política de defesa europeia.

A Soglia Irreversível

A falha de SAFE não é o fim da cooperação entre o Reino Unido e a UE no setor da defesa, mas um ponto de virada. Londres terá que decidir se continuar perseguindo uma autonomia estratégica ilusória ou aceitar um papel mais modesto na arquitetura de segurança europeia. A pergunta-chave não é se o Reino Unido pode permitir-se participar em SAFE, mas se pode permitir-se não fazê-lo.


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